Estou sentado em um local público.
Avisto alguns casais…
Um de idade avançada, me chama a atenção em especial.
A animada senhora traz marcas da vida em seu sorriso.
Cabelos curtos, olhos fundos…
Sorriso receptivo.
Sinto rugas em sua voz.
Ela leva consigo uma bengala,
Dessas bem estilosas.
Seu concubino levanta, parece pedir um café.
Os olhares deles revelam tanta coisa
tanta intimidade
tanta vida
tanto amor
Algumas muitas primaveras
Talvez oitenta…
Quantas lembranças somos ca[azes de armazenar?
Tete fazer uma releitura de sua vida
Não pense apenas nas coisas boas ou ruins.
avalie o todo!É como imaginar o som do silêncio.
O calar do inocente
O inocência cruel da criança
A parte vil do bom samaritano
O pecado da santidade…
Às vezes, um simples olhar de um idoso
Nos revela uma linda história.
Podemos perceber tanta coisa…
Mas estamos prontos?
Estamos aptos?
Estamos dispostos?
Agora a senhora fechou os olhos por um longo período.
Parece ouvir um concerto para uma só voz.
Um suspiro…
Um atentar repentino;
Alguém chama!
Alguém que não parece estar aqui…
Alguém…
Todo mundo precisa de alguém para (se)amar!
(se)amar
Postado em Uncategorized em novembro 25, 2009 por rjgorositoSalve!
Postado em Uncategorized em novembro 25, 2009 por rjgorositoSalve!
A noite cai
As horas passam
Meia-noite, o galo canta
Uma trama cartesiana
De perfeitos e infinitos ângulos retos
Em cada quina uma vela
Surge uma bela e alta gargalhada
Avisto um homem
Bem vestido, bem alinhado
Envolto a vultos vermelhos
Criados pelos rodopios de suas cortesãs
Densa fumaça
Onde passa,
Alguns caminhos se abrem
Outros, se trancam
Sobe o calafrio
O Transe rufa com o tambor
Cortejadas cortesãs
Giram, giram, giram
Um pé de caboclo
Outro de dança
Uma mão de couro
Outra de faca
Na cabeça uma coroa
Nos olhos uma lágrima
Vem a saudação
Vem a reverência
Vem o canto
Vem o grito
Vem a fé e nos afaga.
Salve!
Olá, não!
Postado em Uncategorized em novembro 25, 2009 por rjgorositoOlá
Eu não preciso da sua boa educação;
Eu não sorrio à toa!
Falo a sua língua
Não entendo o seu sermão
Polícia, descrença, doença, desilusão
O que nos afasta também nos dá orientação
Eu não choro à toa!
Vivo sem perspectiva
Sigo à deriva
Essa é a condição da minha condução
Às vezes o vento me dá a direção
Eu não sigo à toa!
O mar agita
o vento agita
A cabeça…
Nunca acaba de caber tanta aflição.
Mesmo que a vida seja um ensaio interminável
De uma peça que jamais entrará em cartaz
Eu não vivo à toa!
Não!
Aos cantos, ao esmero.
Postado em Uncategorized em outubro 16, 2009 por rjgorositoUma atriz vive todos os prantos.
Por serem tão amadas,
estão sempre tristes de verdade.
Elas podem ficar chocadas ao ver um ovo se chocar no chão.
Essa projeção de que a vida vai embora cedo;
de ficarem velhas e obsoletas…
Um dia é sempre um dia
e a noite é sempre uma dor.
A idéia de que a arte transcende a existência,
mas não é maior que a vida;
está sempre presente nas felizes tristezas das atrizes.
Dentro de mim não é mais um bom lugar para se viver
Postado em Uncategorized em outubro 14, 2009 por rjgorositoPalavras (Bem)ditas!
Um sentimento de pânico em não detectar um abrigo dentro de si.
Um espaço onde caibam nossos fantasmas.
Uma voz que nos expulsa de dentro de nós.
Um lugar onde não brilha o sol.
Um estrangeirismo solitário.
Um suicídio coletivo.
Um despatriamento sem ter para onde levar a bagagem.
Tanta bagagem…
Poderia me hospedar por um tempo em outro corpo?
Nascer de novo não dá!
Ou dá?
Até dá…
A Princesa do Jardim
Postado em Uncategorized em outubro 8, 2009 por rjgorositoEngraçado, algumas histórias começam com “era uma vez…”
O que conto agora, é um conto, um mito, lenda, empatia, amor transeunte, paixão verdadeira, encantamento atemporal. A história é clássica, boba.
Diz-se de uma princesa, um jardim e um nome shakespereano.
Não preciso ser enfático ou didático. Basta a idéia.
Ela: pele clara, cabelos longos, nem tão claros e nem tão escuros. Sorri como um nascer do sol; começa pequeno, mas logo ilumina todo o lugar. Boca grande, lábios bem desenhados. Suas mãos aparentam uma forte pegada, não sei bem o porque. Suas pernas sempre me atraíram. Pés um pouco maiores do que os da maioria das mulheres, mas pudera, ela é uma princesa e não poderíamos esperar qualquer analogia com a normalidade. Costumava disfarçar-se atrás de grandes lentes que tampavam seus olhos. Era mais um charme…
Nossos encontros sempre foram rápidos e se bem me lembro, trocamos alguns olhares, alguns comentários, mas poucas, muito poucas, quase nenhuma conversa. Mas sempre ouvi bem a sua voz e engraçado, sempre vinha carregada de um sorriso inato. Uma leveza e sonoridade alegremente contagiante.
Podemos voltar um pouco no tempo.
Uns dez anos…
foi quando a vi e me encantei desde então. Linda. Um sinônimo de volúpia para mim. Uma constante sensação de querer sem poder. Um conflito apaixonante…
Princesa: Soberana de um principado; soberana de qualquer estado; Pessoa do sexo feminino, que se distingue por sua graça e finura de maneiras. Assim era esta menina. Uma delicadeza no meio de uma selva de pedra. Para alguns e até mesmo para ela (creio eu) a vida é um imenso e florido jardim. Podemos esbarrar em alguns espinhos, mas o importante é sentir o estado gracioso que podemos desfrutar a cada instante. Gosto da transparência no ser. Gosto se sentir-me transparente e fazer-me transparente para algumas pessoas. Gosto de ser lido e interpretado e não mastigado e engolido; gosto de ser observado e estudado… Gosto mais ainda de ter estas ações com outrem.
Mas não vem ao caso; a história aqui é de uma princesa, um principado (seu jardim) e um nome cheio de fantasias, sonhos e poéticas versões de amor.
Entende-se que as mulheres são sexo frágil. Não penso em tanta fragilidade. A mulher á algo divino. Um ser supremo. Capaz de gerar a vida e dominar batalhões quando ameaçada. Não sei se serei capaz de contar a história sem ser parcial. Como disse lá no início, a história é boba, cheia de clichês. E diria que o maior deles é se apaixonar por uma princesa, que você idealiza e nem sabe ao certo como ela é, mas que no fundo, bem lá no fundo, tem a certeza de que ela é tudo o que você sempre quis. E não adianta o tempo passar, nem a distância…
talvez um dia eu possa encontrá-la, talvez um dia nem lembrarei mais dela… talvez…
mas o pensamento de que gostaria de fazer algo para mudar a vida desta mulher, mesmo que por um instante, mesmo que por um sorriso, “quiça” um suspiro. Se eu pudesse alegrá-la por apenas um instante e eternizasse todo este momento, encheria meus olhos de cores e nosso momento de flores;
e Julieta – a princesa do jardim – deixaria meu caminho florido e mais feliz por ter a certeza de que lhe falei o que senti e não deixei de esquecer.
Engraçado as histórias que começam com “era uma vez…” sempre têm um final feliz.
Deixo o final desta história como um sujeito oculto, apesar de o sujeito que vos escreve já está feliz por simplesmente lhe dizer o que disse.
Posso dizer que receberia as piores notícias de seus lindos lábios…
do seu plebeu com amor.
Vida de uma artista sem vida
Postado em Uncategorized em julho 31, 2009 por rjgorositoBela, 23, solteira, procura…
Tentou algumas vezes
Desistiu inúmeras vezes
Lamentou poucas vezes
Nunca se puniu!
Sua vida sempre foi um amar sem ponto.
Lúcida ou tonta,
Se fizera de muitas, mas nem tantas…
Sua triste vida alegre
Sempre foi uma peça sem ensaios.
Ao vivo, na veia, heroína!
Uma tragédia grega sem pilares mitológicos
Uma menina liberta e libertina
Uma boa atriz,
excelente artista,
capaz de simular ou dissimular qualquer riso ou dor.
Suas lágrimas e risos eufóricos em prantos
Lhe permite um bom disfarce.
Na vida de plumas e paetês,
Na coxia de sua casa
No pano-de-fundo de seus ensaios
Na porta dos fundos de sua consciência
Bela – Gabriel
23 tentativas de suicídio
Solteiro de qualquer tipo de relação interpessoal
Procura:
Procura pelo quê, Bela?
Belo dia para se morrer
Postado em Uncategorized em julho 31, 2009 por rjgorositoTem dias que a gente não sabe o que fazer.
Fica andando de um lado para outro para um;
Levanta, deita, senta, dorme, chora, lamenta, ri, preocupa-se
Espera…
Tenho a sensação de estar em um looping do tempo.
Vivo as mesmas sensações todos os dias;
As mesmas tristezas, incertezas, avarezas, e outras ezas mais.
De repente, na noite mais escura
Após o dia mais claro,
Surge o olhar que me desperta;
Um pouco acanhado,
Um pouco escondido,
Disfarçado pelas sombras e cores da luz e make-up
aos poucos vem realçando…
Puro, triste, inteligente, forte, guerreiro, determinado, com vida.
Há mais coisas entre nossos corpos do que podemos captar…
Volúpia!
O seu vermelho me atrai…
Sua voz firme, sua tensão corporal,
seu abraço forte e cheiro intenso…
Gostaria de beijar-te os lábios!
Gostaria de agradar-te um tempo!
Não sei se voltarei a vê-la
Não sei se poderei tê-la
Não sei se foi um sonho ou encantamento…
Mas sei que hoje,
Seria um belo dia para se morrer.
sensentidosensentidosensentidosen
Postado em Uncategorized em julho 9, 2009 por rjgorositoDe onde vem essa coisa tão crua,
Que me acorda e me põe no meio da rua?
Esse menina crua acordada na rua
Essa rua crua com uma menina nua
Essa coisa nua e crua!
Acorda menina!
Coisa crua
Coisa de rua
Coisa de…
Sou um fã.
Gosto de jeito de menina
Meio maluquete
Meio com defeito
Meio guerreira
Meio carente
Meio menina
Meio mulher
Olhares me impressionam
Sensibilidades me alegram
Sentimentalidades…
Navegando em uma destas noites insones
Viajei para longe…
O fantástico mundo fantasiado
O mundo com cores, mas o pb fica bem.
Onde a velocidade é rápida,
mas podemos controlar também.
A profundidade é infinita, mas regula-se.
onde a reciprocidade não está apenas na técnica,
mas na vida em que se é vivida.
Certa vez ouvi:
“Fotografamos o que vemos
E o que vemos depende de quem somos.”
Gostei de ler isso!
Não precisa fazer sentido; pois:
“E aqueles que foram vistos dançando,
foram julgados insanos
por aqueles que não podiam escutar a música!”
A menina sem século
Postado em Uncategorized em julho 9, 2009 por rjgorositoNa hora de optar entre a liberdade ou o paraiso,
A menina sem século,
Dançou e tirou o chapéu que assumia…
Por diversão ou necessidade.
Ela era outra!
Que ninguém descobrira ainda…
Eis o mistério!
Atônita quando escarlate,
Voluptosa envolta de branco,
Liberta no verde,
Exaltando a vida em um tempo infinito de ensaios e processos,
Permite-se enxergar o mundo com os olhos de Clarice.
Tendo a voz tenra,
Quase com o peso da luz, afirma:
Liberdade é pouco,
O que desejo ainda não tem nome!
Gostei do que vi e interpretei!


